JORNADA DOS PROFESSORES

Quatro em dez professores fazem jornada extra para completar renda

FLÁVIA FOREQUE
     NATÁLIA CANCIAN
DE BRASÍLIA

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/06/2015  

 

Kassyus Lages, 38, aproveita os intervalos das aulas como professor de história, em Teresina, para alavancar a venda de roupas e sapatos.

Andrea Almeida, 35, dividia-se entre as atividades de manicure e professora de matemática em uma rede municipal do interior do Maranhão até ser aprovada em um concurso estadual –agora, concilia os dois turnos de aula.

Kelly Naves, 40, chegou a trabalhar por três turnos na educação em Belo Horizonte. Ainda hoje, deixa de almoçar enquanto gasta cerca de uma hora para ir de uma escola a outra na capital mineira.

Moradores de diferentes pontos do país, os três exemplos fazem parte de uma estatística de professores que têm recorrido à jornada dupla (ou até tripla) de trabalho. E sentem os efeitos disso.

Hoje, quatro em cada dez docentes da rede básica no país, ou 41% do total, fazem atividades dentro e fora da educação para complementar a renda. Desse universo, 10% chegam a atuar em atividades fora da educação.

"Se eu tiver que dar uma lista, é mais fácil dizer quem não vive disso [renda extra]", afirma Kassyus, que cresceu ajudando a mãe, também professora, a vender bolos para completar a renda.

Os dados, tabulados pela organização Todos pela Educação a pedido daFolha, são de questionário do Inep (órgão do Ministério da Educação) preenchido por 225 mil professores da rede pública do 5º e 9º ano do ensino fundamental, amostra que compreende os principais anos dessa etapa de ensino. Ao todo, o fundamental reúne 1,4 milhão de professores.

A cada dois anos, o instituto avalia conhecimentos de português e matemática desses alunos - a chamada Prova Brasil. Ao mesmo tempo, a avaliação coleta informações sobre alunos, diretores e professores. Além da remuneração dos profissionais, o questionário dos docentes, por exemplo, traz questões sobre nível de escolaridade, utilização de recursos didáticos e integração da equipe escolar.

Em 16 Estados, o índice supera a média nacional. Rio Grande do Norte (55%) e Roraima (54%) lideram. Na outra ponta, estão Tocantins e Distrito Federal, com 22,6% e 12,7%, respectivamente. Em São Paulo, cerca de 41% dos professores do ensino fundamental aderem a atividades extras.

O levantamento mostra ainda que cerca de 30% dos professores que atuam em uma escola por 40 horas ou mais por semana também arranjam tempo para complementar a renda com outras atividades.

 

Posted by Anderson do Couto Cândido Thursday, July 02, 2015 5:27:00 PM

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